Olha. Nós estamos numa Copa do Mundo. E, mesmo que você não tenha assistido a qualquer jogo, deve estar ouvindo muito palavrão por aí. Isso porque todo mundo fala palavrão durante um jogo de futebol, quer você queira, quer não. Inclusive você – puxa vida, vamos deixar de ser hipócritas – durante uma partida da Seleção, volta e meia deixa escapar algumas expressões que, em dias normais, jamais falaria na frente do seu neto ou da sua sogra, fala a verdade.
Então, é de se espantar o tanto de gente comentando o fato do Kaká, após errar mais um chute no jogo contra o Chile, ter sido flagrado soltando um sonoro puwtaquipariw, que nem precisou daqueles caras da Globo traduzirem para a gente saber do que ele estava falando.
E o pior é que a grande maioria dos comentários citou a religião do Kaká. Que ele, como homem religioso que é, deveria ser o primeiro a dar exemplo. Que onde já se viu, um Homem de Deus, falando uma blasfêmia daquelas, e essas coisas todas.
Veja bem, eu também não estou aqui para defender o Kaká, que para mim não joga nada faz é tempo, e muito menos sua crença seja lá no quer for. Mas eu estou aqui para defender o palavrão.
O palavrão é uma instituição linguística mundial, presente em praticamente todas as civilizações, desde as indígenas até as mais desenvolvidas. E quem já assistiu a um filme policial americano com legendas sabe muito bem do que eu estou falando. A quantidade de “fuck” que os caras falam é simplesmente inacreditável, e o sujeito que faz a legenda nem traduz todos eles para não se tornar muito repetitivo. E é a mesma coisa em filmes espanhóis, italianos, franceses ou alemães.
Agora, se o palavrão é assim tão disseminado por toda parte, é mais do que provável que ele tenha alguma função social importante, como, por exemplo, diminuir o risco de um enfarte entre a população mais idosa, ou até mesmo o de abrandar o problema das agressões físicas entre parentes ou amigos. Pois já imaginou se, toda vez que você se irritasse com algum conhecido seu, em vez de falar um palavrão, você socasse a cara do pobre coitado? Ou se, em cada discussão com seu cunhado, vocês trocassem catiripapos em vez de singelos puwtaquipariws?
Pois, se não fosse o palavrão, o mundo iria se transformar numa grande carnificina, é isso que ia acontecer. O palavrão é, para mim, tal qual um Nelson Mandela ou uma Madre Teresa de Calcutá, um dos maiores símbolos da luta pela Paz Mundial.

