Blog das Copas
Artur de Carvalho é jornalista, publicitário, ilustrador e escritor. Avesso a esportes em geral e a futebol em particular.
Custódio é cartunista, meia-esquerda esfoçado e é mais apaixonado por futebol do que gostaria. Ambos escrevem e desenham lembranças de suas Copas do Mundo a partir de 1970.


AUTORES

Custódio

Custódio é paulistano de Interlagos, safra 1967, cartunista há 22 anos. Tem alguns livros publicados, não tantos quanto os parafusos no tornozelo e joelho, por causa do futebol. Foi um mediano jogador federado de futsal na juventude, e também participa do blog A Academia (link)aqui.

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O palavrão e a Paz Mundial

Olha. Nós estamos numa Copa do Mundo. E, mesmo que você não tenha assistido a qualquer jogo, deve estar ouvindo muito palavrão por aí. Isso porque todo mundo fala palavrão durante um jogo de futebol, quer você queira, quer não. Inclusive você – puxa vida, vamos deixar de ser hipócritas – durante uma partida da Seleção, volta e meia deixa escapar algumas expressões que, em dias normais, jamais falaria na frente do seu neto ou da sua sogra, fala a verdade.

Então, é de se espantar o tanto de gente comentando o fato do Kaká, após errar mais um chute no jogo contra o Chile, ter sido flagrado soltando um sonoro puwtaquipariw, que nem precisou daqueles caras da Globo traduzirem para a gente saber do que ele estava falando.

E o pior é que a grande maioria dos comentários citou a religião do Kaká. Que ele, como homem religioso que é, deveria ser o primeiro a dar exemplo. Que onde já se viu, um Homem de Deus, falando uma blasfêmia daquelas, e essas coisas todas.

Veja bem, eu também não estou aqui para defender o Kaká, que para mim não joga nada faz é tempo, e muito menos sua crença seja lá no quer for. Mas eu estou aqui para defender o palavrão.

O palavrão é uma instituição linguística mundial, presente em praticamente todas as civilizações, desde as indígenas até as mais desenvolvidas. E quem já assistiu a um filme policial americano com legendas sabe muito bem do que eu estou falando. A quantidade de “fuck” que os caras falam é simplesmente inacreditável, e o sujeito que faz a legenda nem traduz todos eles para não se tornar muito repetitivo. E é a mesma coisa em filmes espanhóis, italianos, franceses ou alemães.

Agora, se o palavrão é assim tão disseminado por toda parte, é mais do que provável que ele tenha alguma função social importante, como, por exemplo, diminuir o risco de um enfarte entre a população mais idosa, ou até mesmo o de abrandar o problema das agressões físicas entre parentes ou amigos. Pois já imaginou se, toda vez que você se irritasse com algum conhecido seu, em vez de falar um palavrão, você socasse a cara do pobre coitado? Ou se, em cada discussão com seu cunhado, vocês trocassem catiripapos em vez de singelos puwtaquipariws?

Pois, se não fosse o palavrão, o mundo iria se transformar numa grande carnificina, é isso que ia acontecer. O palavrão é, para mim, tal qual um Nelson Mandela ou uma Madre Teresa de Calcutá, um dos maiores símbolos da luta pela Paz Mundial.

:: Postado por artur às 19h49

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O Brasil está jogando um bolão

Não. A seleção brasileira não está jogando um bolão. Não é a isso a que me refiro no título acima. Eu me refiro a essa mania do brasileiro de fazer bolões de aposta em todo jogo do mundial. É bolão na escola, bolão no emprego, bolão no boteco. Tem bolão pra tudo que é lado. E, na minha opinião, a gente tem que tomar um certo cuidado com esse negócio de bolão porque nosso palpite, para um cara que está a fim de analisar um pouco mais profundamente,  pode demonstrar muito mais de nossa personalidade do que gostaríamos.

Por exemplo. Um cara que aposta que o jogo vai acabar zero a zero. Sinto muito, mas esse cara é um chato. Talvez nem ele mesmo saiba disso, nem seus colegas tenham prestado atenção o bastante. Mas que o cara é um chato, é. Afinal, ninguém de bem com a vida, que goste de usufruir de bons momentos junto com os amigos, aposta que um jogo vai acabar zero a zero, transformando o que poderia ser uma tarde divertida e animada numa sorumbática e monótona reunião no fim do dia.

E tem o oposto também. O cara que sempre aposta que vai ser dez a zero. O cara que aposta um dinheirinho ali, que ele provavelmente ganhou suando a camisa num trabalho do qual nem gosta muito, devia ser um pouco mais racional. E dez a zero não é um resultado racional, ainda mais quando estamos falando de uma Copa do Mundo. O cara que aposta que um jogo vai acabar em dez a zero é um suicida em potencial. Um desequilibrado com graves problemas psíquicos. Ou então ele é uma besta completa. Em qualquer um dos casos, no entanto, o sujeito é um perigo para a sociedade e deve ser observado mais adequadamente quando no desempenho de suas outras atividades sociais. Conforme o caso, talvez ele deva ser até mesmo internado em alguma instituição psiquiátrica ou penal.

E, para finalizar, tem aqueles que, invariavelmente, apostam num dois a um. Pode ser o Brasil contra a Guatemala. A Alemanha contra o Sri Lanka. O cara vai lá e tasca um dois a um. Dois a um é um resultado neutro. Nem muito lá, nem muito cá. É uma aposta, digamos, equilibrada. Digna de um cara com total controle sobre seus instintos.

Mas, pombas, vai ser controlado assim na casa do chapéu! É Alemanha contra o Sri Lanka, gente, bota aí um onze a zero e estamos conversados!

:: Postado por artur às 11h14

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